Dizem por aí que todos os homens são iguais, e as mães também, só
mudam de endereço. Não é exagero? A variedade é o que dá graça à
condição humana. Mas já repararam como existem padrões que se repetem no
modo como nos relacionamos uns com os outros? Nem falar nas relações
amorosas… As dúvidas que tiram o sono das chicas aqui no México
se parecem muito às que já vi preocupar amigas no Brasil. Outro dia,
uma amiga mexicana me veio com a pergunta do milhão: “o que você faria
se a pessoa que você ama não quisesse o mesmo que você?”.
Engoli seco. Primeiro, porque me pegou de surpresa. Segundo, porque
não sabia responder. E depende, certo? Como muitas coisas na vida, cheia
de variáveis. Esta amiga terminou com o namorado de anos depois de
flagrar uma conversa incômoda dele com uma desconhecida na internet (ah,
essas redes sociais…). Era o chat da traição anunciada. No fim das
contas, ela e o namorado conversaram, se entenderam, e tudo parecia
voltar à calma. Mas ela não. Ela avançou ao futuro. Encasquetou porque
ele diz que não acredita em casamento, nem faz questão de filhos, e ela
sofre porque sonha de verdade em casar e ter uma família. E continua a
relação com a estranha sensação de que está fadada ao fim.
Alguém por aí diria que toda relação é uma incógnita, que por mais
que os dois envolvidos pensem de maneira parecida e compartilhem uma
ideia de futuro não é garantia de uma relação “para sempre”. Mas, se não
existe um mínimo de sonhos em comum, a coisa não complica? Como não
conheço bem o namorado, disse a ela que não existe nada como uma
conversa franca. Tendemos a pensar que sabemos o que se passa na cabeça
do outro, e imaginação não é realidade. E fui também sincera: nestes
casos, é difícil uma relação prosperar se as pessoas não estão dispostas
a ceder, em menor ou maior grau, segundo a situação exija, em um jogo
de escolhas que envolve perdas. Porque senão a longo prazo estariam
infelizes, jogando suas frustrações um no outro, e com raiva do tempo
perdido em que a paixão anulou a urgência de uma conversa séria. Só
sabendo bem o que os dois sentem podem avaliar suas possibilidades, ou
ao menos a vontade de tentar – ou ceder.
A tal conversa ainda não aconteceu. Nem acho que minha amiga tenha
pressa, talvez por medo do rumo que as palavras tomem quando lançadas ao
ar. O mesmo mistério que permeia o que une duas pessoas existe no que
as separa. Quando saber que aquele ponto de discordância se transformou
em “diferenças irreconciliáveis”, expressão corriqueiramente usada pelos
famosos para justificar mais uma separação?
Uma grande amiga me disse uma vez que o que nos mantém juntos a outra
pessoa não são suas qualidades, mas os defeitos. Isso porque ela pode
ter o maior leque possível de qualidades, mas, se tem um defeito
insuportável, por mais amor que exista a relação estará capenga.
Incômoda.
Minha dúvida é sobre quando deixamos de ter dúvidas. Minha cunhada
contou que nas palestras matrimoniais que teve que frequentar como
requisito para o casamento na Igreja os casais eram instigados todo o
tempo a duvidar sobre o que os levou até ali. Desafiados a refletir se o
amor que sentiam era tão forte como diziam sentir, quase numa versão
moderna-afetiva da Inquisição. Haverá quem desista sob pressão. Mas
mesmo os mais seguros devem se perguntar, senão no tal curso, em algum
momento da vida: será? Será esse? Será essa? Será que serei capaz de
tolerar a diferença? Ter paciência para tentar o entendimento?
Capacidade de escutar o outro? Habilidade para fazê-lo(a) falar? Quando
amamos, a intenção de prosperar certamente existe, mas não é tão certa a
destreza, nem a resistência a fatores externos. Existe o esforço – e
isso já faz diferença.
Outra grande amiga disse outro dia que viver sozinho é mais fácil. Na
teoria. Viver com alguém mais supõe outros desafios, situações que nos
obrigam a amadurecer, dividir, somar. Cada um saberá como levar sua
relação com o outro, e se preferir, apenas consigo mesmo, o que também
pode ser bem difícil. Mas, desde que comecei a escrever este texto, uma
frase não sai da minha cabeça. Vi num filme (dirigido por Sean Penn, “Na
natureza selvagem”, tem também livro, altamente recomendado!). No final
de uma arriscada aventura de auto-descoberta, o protagonista descobre,
sozinho no Alasca, a resposta para o que buscava: “a felicidade só é
real quando compartilhada”.
Extraído (na íntegra) da coluna da jornalista Elisa Martins ( para a Revista Época - Mulher 7x7 ).
"As crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, determinam a maneira como nos sentimos." Aaron T. Beck
domingo, setembro 16, 2012
domingo, julho 01, 2012
Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)
CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) - F31
Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares.
Inclui:
doença maníaco-depressiva
psicose maníaco-depressiva
reação maníaco-depressiva
Exclui: ciclotimia (F34.0)
transtorno bipolar, episódio maníaco isolado (F30.-)
_____________________________________________________________
O TAB é classificado no grupo dos transtornos de humor e seus principais
sintomas são constituídos por períodos de depressão: rebaixamento do humor,
tristeza profunda e permanente e por períodos de mania (ou euforia): elevação
do humor, alegria exagerada. Entre esses períodos o paciente pode ficar em
estado de eutimia (humor normal).
Na fase depressiva os sintomas são de tristeza, perda de interesse nas
atividades diárias, sintomas de culpa, baixa auto-estima, falta de energia,
alterações no apetite e no sono, dificuldade de concentração, ideação suicida e
em casos mais graves delírios e alucinações.
Na fase de mania (ou euforia) os sintomas são de humor elevado, expansivo
ou irritável, auto-estima inflada, redução da necessidade de sono, aceleração
do pensamento, hiperatividade, exacerbação da sexualidade, distraibilidade,
impulsividade.
O TAB pode manisfestar-se em qualquer época da vida e ocorre por
predisposição genética associado ao estresse ambiental: químico (álcool/
drogas) ou emocional (conflitos familiares, viuvez, divórcio, violência física
e/ ou psicológica). Portanto, pessoas com familiares próximos que tenham
quadros depressivos ou TAB ou dependentes químicos têm maiores chances de desenvolver
a doença.
O tratamento psiquiátrico medicamentoso e psicoterapêutico são essenciais
para a diminuição dos sintomas do transtorno e para a prevenção de novas
crises.
quarta-feira, junho 27, 2012
Psicofobia é crime
Psicofobia: Medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais. Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demonios ou servos do diabo. Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psicologia, verificou-se que essas pessoas tinham uma doença mental e não demônios
ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O receio do doente
mental ainda continua.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
No desembarque do aeroporto JFK, em Nova York, no começo deste ano, o outdoor que recebia milhares de pessoas diariamente não trazia nenhuma bela foto da cidade ou mensagem de boas-vindas. O que os viajantes encontravam era uma enorme propaganda com a mensagem: “Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”. A ironia desconcertante da publicidade reflete muito da imagem que alguns transtornos mentais ainda recebem por parte da sociedade: para alguns, um destempero; para outros, uma fraqueza. Mas a depressão é um transtorno mental dos mais graves e incapacitantes. Dentre as 10 principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são decorrências de transtornos mentais. A depressão aparece em primeiro lugar.
Para 46 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde, a
depressão é uma realidade: 20% a 25% da população já teve ou tem
depressão ao longo da vida. A incapacitação profissional, a falta de
interesse e de motivação para participar de atividades sociais
rotineiras e de ter prazer nas coisas de que gosta e com as pessoas que
ama, transforma dramaticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus
familiares e amigos, trazendo consequências devastadoras. Essa falta de
capacidade de se relacionar tem efeitos profundos e duradouros, que
dificultam a reinserção social dos que tentam se recuperar de um
episódio de depressão.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais
transtornos mentais atingem a muitos brasileiros, o preconceito em torno
a eles é crescente na sociedade. Já é hora de combater essa
discriminação, como atualmente já se faz com os homossexuais, negros e
mulheres. A expressão psicofobia expressa justamente o nefasto
preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.
Se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer, conforme
apontou o outdoor no aeroporto americano, também não há razão para as
doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que ela pede e seus
portadores exigem. Há várias formas de preconceito, entre elas a própria
negação da doença como algo menor ou passageiro. Como disse Albert
Einstein, lamentando a triste época em que vivia, “é mais fácil
desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em pleno 2012, ideias
preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada
a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os
portadores de transtornos mentais.
Psicofobia é crime.
*ANTÔNIO GERALDO DA SILVA é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
segunda-feira, abril 30, 2012
Vida de Elefante
Você já observou elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir. Que mistério! Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que, por sorte minha alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.
Isso muitas vezes acontece conosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas: Que não podemos ter? Que não podemos ser? Que não vamos conseguir, simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos nãos que a corrente da estaca ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim..."
Poderia dizer que o fogo para nós seria: a perda de um emprego, ou algum outro problema ou algo que nos fizesse sair da zona de conforto.
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Não espere que o seu "circo" pegue fogo para começar a se movimentar. Vá em frente!
domingo, abril 15, 2012
Enurese Noturna
Xixi na cama: só 10% têm causa emocional
O
famoso xixi na cama não está diretamente relacionado ao lado emocional
da criança como a maioria das pessoas acredita. Noventa por cento dos
casos são orgânicos e a maior parte deles tem razão hereditária.
Dois terços dos pais que já sofreram com o problema podem ter filhos com
os sintomas da enurese noturna - que é a continuação involuntária do
hábito da criança urinar na cama após a idade em que já deveria
controlar o xixi.
O controle da urina durante o dia aparece mais precocemente. Geralmente,
com cerca de dois anos de idade, a criança começa a notar a sensação de
bexiga cheia e a chamar a atenção quando quer fazer xixi. A partir daí,
as mães tendem a retirar a fralda diurna, mantendo a noturna por mais
tempo.
Se, ao ultrapassar os cinco anos, a criança ainda não demonstrou
controle da urina durante a noite, o ideal é procurar um pediatra. Na
maioria das vezes, trata-se de um caso de enurese noturna primária.
As causas
Grande parte dos casos de enurese noturna primária é genética.
Geralmente se encontram vários casos anteriores ao da criança na
família, como tios, avós, pais ou primos que tiveram o mesmo problema.
Algumas crianças sofrem com a falta de uma substância chamada
vasopressina, que é fabricada pela hipófise para diminuir a produção de
urina durante a noite. Com esse déficit, muitas produzem, à noite, a
mesma quantidade de urina que produzem durante o dia.
Outra causa possível é uma imaturidade do sistema nervoso, que impede
que o cérebro da criança receba o aviso enviado pela bexiga cheia
durante a noite. Sem ser avisada, a criança deixa de acordar para ir ao
banheiro e acaba encharcando os lençóis.
Os casos emocionais - apenas 10% – são chamados de enurese secundária
porque, geralmente, acontecem depois de a criança já ter aprendido a
controlar o xixi, normalmente por um trauma emocional.
Diagnóstico precoce
O diagnóstico e o tratamento para o combate do xixi na cama devem ser
iniciados o mais rapidamente possível - próximo dos cinco anos de idade –
assim que a doença for diagnosticada.
Quanto antes o problema for tratado, menos chances a criança terá de
sofrer com baixa autoestima, que acaba interferindo no seu comportamento
emocional, ou seja, podendo torná-la tímida, retraída e sem confiança
nas suas próprias capacidades.
Tratamentos
Existem medicamentos para repor a vasopressina em tratamentos que duram
cerca de um ano. O remédio só deve deixar de ser tomado quando a criança
estiver com a cama "seca" há mais de seis meses.
Dependendo do caso, há medicamentos que relaxam a musculatura da bexiga e
diminuem as contrações responsáveis por eliminar o xixi. Com menos
contrações, diminui-se a probabilidade de liberar urina à noite. Alguns
antidepressivos também têm uma ação específica sobre a musculatura da
bexiga e também podem minimizar o problema.
Apesar de o diagnóstico ser simples – geralmente obtido em uma conversa
entre os pais e o médico – cada caso deve ser tratado de maneira
específica.
Xixi na cama nunca mais!
Algumas dicas para diminuir as chances de a criança molhar os lençóis todas as noites:
• Procure fontes confiáveis e não perca tempo com tratamentos alternativos sem qualquer comprovação científica.
• Não compense a má alimentação da criança durante o dia com mamadeira
ou copo de leite à noite, que aumenta o volume de líquido filtrado pelo
rim.
• Se necessário, diminua a ingestão de sucos e sopas à noite.
• A suposta sede da criança antes de dormir pode ser evitada se ela se
acostumar a tomar mais líquido durante o dia, de forma distribuída.
• Esvazie a bexiga da criança antes do sono.
• Retire a fralda para desacostumar a criança do "conforto" de urinar na cama.
• Evite levar a criança, durante o sono, para o banheiro. Além de
interferir na tranquilidade do sono, dormindo a criança não vai aprender
a desenvolver o reflexo de que deve acordar antes de fazer xixi na
cama.
Curiosidades
O problema é mais comum entre as crianças hiperativas. Um terço dos
pacientes com enurese noturna apresenta a associação dos dois quadros:
xixi na cama e hiperatividade.
Você sabia que 20% das crianças e adolescentes com enurese também apresentam enxaqueca?
Treinamento de "retenção urinária"
Treinar a retenção urinária da criança pode ser uma boa maneira de acostumá-la ao controle do xixi.
O exercício pode ser feito da seguinte maneira:
Dar líquido (água ou suco) para a criança beber às 9 horas ou às 15
horas. Após 15 ou 20 minutos, ela terá vontade de urinar. Peça que ela
segure a vontade por um ou dois minutos ou o quanto aguentar. Dessa
forma, ela estará sendo hidratada no período certo (que não é antes de
dormir) e fazendo exercícios para estimular a sensação de bexiga cheia,
que nos leva naturalmente ao banheiro durante a noite.
Fonte: Dr. Abram Topczewski – Neurologista da Infância e Adolescência do
Einstein e co-autor do livro "Xixi na cama nunca mais!".
Fonte: Hospital Albert Einstein
segunda-feira, abril 02, 2012
Camelo, Leão e Criança
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) defendeu que os seres humanos evoluem na Terra, podendo passar metaforicamente por três fases "camelo", "leão" e "criança".
O homem, ao nascer, é como o camelo. É obrigado a comer, assimilar e armazenar, por um bom tempo, grande parte dos dados, histórias e ensinamentos acumulados pela humanidade ao longo de séculos. Essas informações chegam a ele por meio das orientações dos pais, professores e mestres, da convivência com seus iguais ou também por toda a produção cultural existente na sociedade: livros, filmes, arte, teatro, arquitetura, todo tipo de mídia... Ele vai ruminar, ruminar e ruminar essa quantidade enorme de dados até construir seu sistema de valores e crenças que, na maioria das vezes, já está alinhado com valores e crenças organizadas e pré-existentes sejam elas religiões, sejam elas sistemas políticos, filosofias ou doutrinas.
A maior parte da humanidade vive no estado de camelo. Só assimilando, aceitando, deglutindo. Ou, pior, se estapeando por causa do conteúdo engolido, isto é, por causa de suas crenças, ideologias ou religiões. Os homens-camelos não têm potencial crítico para se afastar da própria crença, analisá-la de forma isenta e descobrir seus pontos falhos ou ângulos distorcidos. Principalmente porque ela está baseada na emoção, não na razão. Por isso, para eles, de alguma forma parece impensável e sacrílego fazer essa avaliação.
Uns poucos entre os camelos chegam ao estado de leão. Normalmente, os grandes felinos se insurgem contra isso tudo que está aí, como se dizia na década de 70. Pode ser por meio da arte, como Picasso, que subverteu os cânones dos critérios artísticos aceitos até sua época (não sem antes dominá-los muito bem, por sinal). Pode ser por meio do cinema, como Ingmar Bergman, que trouxe a conflituosa realidade psicológica do ser humano para seus filmes inovadores. Ou pode ser por meio da religião. Francisco de Assis, por exemplo, foi um extraordinário leão de seu tempo.
Leões são geralmente líderes e, por isso, têm enorme influência junto aos camelos. Por isso mesmo, muitas vezes são feitos em pedacinhos por eles ou, então, por outros leões na defesa de seu território. O problema do leão é que, na maioria dos casos, ele ainda está preso ao que ele é contra. Pode dedicar sua vida e até morrer por seu ideal. Como diz o mestre espiritual Osho, que comentou a teoria de Nietzsche no livro 'Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo', a grande maioria da humanidade está empacada no estado do camelo; a minoria está empacada no estágio do leão. A maioria significa as massas; a minoria, a 'intelligentsia' (pintores, músicos, cineastas, intelectuais, escritores, uma boa parte dos pensadores...). O leão, continua Osho, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico. Já para se formar a criança é preciso uma formidável revolução interior. A criança é a pessoa que passou por uma transformação interna absolutamente radical. Ela tornou-se um outro ser, renasceu. É pós-mental e pós-egóica. O camelo vive no passado, o leão no futuro e criança no aqui-e-agora.
Ela é a única realmente livre.
segunda-feira, março 26, 2012
Escolhas: Apegar-se ou ser Livre?
Algumas tribos africanas utilizam um engenhoso método para
capturar macacos. Como estes são muito espertos e vivem saltando nos galhos
mais altos das árvores, os nativos desenvolveram o seguinte sistema:
1) Pegam uma cumbuca de boca estreita;
2) Em seguida, amarram-na ao tronco de uma árvore frequentada por macacos, afastam-se e esperam.
3) Após isso um macaco curioso desce;
4) Enfia a mão. Apanha a fruta, mas como a boca do recipiente é muito estreita, ele não consegue retirar a banana.
Surge um dilema: se largar a banana sua mão sai e ele pode ir embora livremente; caso contrário, continua preso na armadilha.
1) Pegam uma cumbuca de boca estreita;
2) Em seguida, amarram-na ao tronco de uma árvore frequentada por macacos, afastam-se e esperam.
3) Após isso um macaco curioso desce;
4) Enfia a mão. Apanha a fruta, mas como a boca do recipiente é muito estreita, ele não consegue retirar a banana.
Surge um dilema: se largar a banana sua mão sai e ele pode ir embora livremente; caso contrário, continua preso na armadilha.
Depois de um tempo, os nativos voltam e, tranquilamente,
capturam os macacos que teimosamente se recusam a largar as bananas. O final é
meio trágico, pois os macacos são curados para servirem de alimento.
Você deve estar achando inacreditável o grau de estupidez dos macacos, não é? Afinal, basta largar a banana e ficar livre do destino de ir para a panela.
Fácil demais…
O detalhe deve estar na importância exagerada que o macaco atribui à banana. Ela já está ali, na sua mão… Parece ser uma insanidade largá-la. Essa história é engraçada, porque muitas vezes, fazemos exatamente como os macacos.
Você nunca conheceu alguém que está totalmente insatisfeito com o emprego, mas insiste em permanecer mesmo sabendo que está cultivando um infarto? Ou alguém que não está satisfeito com o que faz, e ainda assim faz apenas pelo dinheiro? Os casais com relacionamentos completamente deteriorados, que permanecem sofrendo, sem amor e compreensão? Ou pessoas infelizes por causa de decisões antigas, que adiam um novo caminho que poderia trazer de volta a alegria de viver?
A vida é preciosa demais para trocarmos por uma banana – que apesar de estar na nossa mão, pode levar-nos direto a panela.
Contato: vivian.psico@hotmail.com
Você deve estar achando inacreditável o grau de estupidez dos macacos, não é? Afinal, basta largar a banana e ficar livre do destino de ir para a panela.
Fácil demais…
O detalhe deve estar na importância exagerada que o macaco atribui à banana. Ela já está ali, na sua mão… Parece ser uma insanidade largá-la. Essa história é engraçada, porque muitas vezes, fazemos exatamente como os macacos.
Você nunca conheceu alguém que está totalmente insatisfeito com o emprego, mas insiste em permanecer mesmo sabendo que está cultivando um infarto? Ou alguém que não está satisfeito com o que faz, e ainda assim faz apenas pelo dinheiro? Os casais com relacionamentos completamente deteriorados, que permanecem sofrendo, sem amor e compreensão? Ou pessoas infelizes por causa de decisões antigas, que adiam um novo caminho que poderia trazer de volta a alegria de viver?
A vida é preciosa demais para trocarmos por uma banana – que apesar de estar na nossa mão, pode levar-nos direto a panela.
Contato: vivian.psico@hotmail.com
Postado por
Vivian Maria Denny - Psicóloga Terapeuta Cognitivo-Comportamental (TCC) - Campinas
às
20:40
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Local:
Campinas, SP, Brasil
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