sexta-feira, março 31, 2017

Sim, respirar fundo acalma – e agora a ciência sabe o porquê

Pense em algo estressante.
Pensou? Então você certamente sentiu um pouquinho da aflição que a tal situação estressante provoca – porque, quando nos lembramos de algo (estressante ou não), nosso cérebro realmente vivencia aquilo de novo. Ou seja: a nível neuronal, não há tanta diferença entre uma experiência e a lembrança dela. Recordar um momento, seja ruim ou bom, produz no seu corpo efeitos análogos aos que você experimentou quando realmente viveu aquele momento. E isso está na raiz do grande problema psíquico do nosso tempo: a ansiedade. Ela é um efeito colateral do excesso de estímulos cognitivos (tanto os vindos do ambiente quanto os endógenos, gerados pelo próprio cérebro), mas também tem consequências físicas terríveis. Pensar demais pode arrasar o corpo.
Mas um novo estudo provou algo de que a sabedoria popular sempre suspeitou: também é possível fazer o caminho oposto, e usar o corpo para domar o cérebro. E é incrivelmente fácil: basta respirar.
Inspire. Expire. Fundo.
Respirou? Então você certamente sentiu algum grau de relaxamento. E agora sabemos o porque disso. A resposta está no chamado Complexo pré-Botzinger, um grupo de células que fica no bulbo neural (região que conecta o cérebro à medula espinhal) e foi descrito pela primeira vez em 1991. O Complexo funciona como se fosse um “marca-passo da respiração”, ou seja, é graças a ele que o seu organismo inspira e expira, milhares de vezes por dia, sem que você precise pensar nisso. Mas ele faz outra coisa também.
Cientistas da Universidade da Califórnia descobriram que o Complexo se comunica com outra área do cérebro: o locus coeruleus (LC), uma região que gerencia o nível de alerta -portanto, de estresse- do indivíduo. Respirar fundo e lentamente provoca alterações no Complexo, que envia sinais elétricos para o locus coeruleus, que deixa você calmo. Esse mecanismo também funciona no sentido oposto (tendemos a ficar ofegantes quando estamos nervosos), e ajuda a explicar a eficácia da meditação – que tem o controle da respiração como um de seus elementos centrais.
Fonte: http://super.abril.com.br/ciencia/respirar-fundo-acalma-mesmo-porque-afeta-o-cerebro/

quinta-feira, março 30, 2017

A sua paz interior depende exclusivamente de você

"Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho não aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir."
(Parábola taoísta de autoria desconhecida)

sexta-feira, março 24, 2017

A suposta função evolutiva da depressão

Uma das características da depressão é ficar ruminando ideias obsessivamente. Você sofre por coisas que aconteceram num passado remoto ou recente, fica tentando encontrar explicações para as coisas – uma briga não resolvida, um relacionamento que não deu certo – e se afunda nesses pensamentos. Apesar de saber que eles lhe fazem mal, você não consegue sair dessa situação. Quem já passou por isso sabe como pode ser doloroso – e quem melhorou sabe como é libertador. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que a depressão já é a doença mais incapacitante do mundo e atinge mais de 400 milhões de pessoas.
Mas alguns psicólogos têm sugerido uma abordagem diferente para a depressão: e se, em vez de ser um transtorno, uma desordem, ela tiver sua função evolutiva e for uma resposta estratégica para alcançar certos benefícios? Em um artigo recente publicado na revista Nautilus, o escritor Matthew Hutson explicou isso melhor.
Ali, ele diz que pesquisadores como Paul Andrews, psicólogo evolucionista da Universidade McMaster, e J. Anderson Thomson, psiquiatra da Universidade de Virginia, observaram que os sintomas físicos e mentais da depressão parecem formar um sistema organizado: “Há anedonia, que é a falta de prazer ou interesse na maioria das atividades. Há um aumento na ruminação, a obsessão sobre a fonte da própria dor. Há um aumento em certos tipos de capacidade analítica. E há um aumento no sono REM, um tempo em que o cérebro consolida memórias”.
Ordem na desordem
Para eles, esses sintomas não seriam aleatórios. Afinal, como é que uma suposta desordem pode produzir um conjunto tão organizado de respostas? A função dessa condição seria nos afastar das atividades ordinárias da vida e nos obrigar a concentrar na compreensão ou na solução do problema que desencadeou o episódio depressivo – como o relacionamento fracassado, por exemplo. Estudos com depressivos confirmam isso: “Em um estudo de 61 indivíduos deprimidos, 4 em cada 5 relataram pelo menos um lado positivo da sua ruminação, incluindo auto-percepção, resolução de problemas e prevenção de erros futuros”, diz o texto de Hutson.
Pensando assim, as terapias cognitivo-comportamentais podem funcionar justamente porque aceleram processos que poderiam ocorrer naturalmente ao longo de meses ou anos. Quem faz terapia talvez consiga compreender – e superar – um problema em bem menos tempo e com menos sofrimento do que faria sem ela.
A função dos antidepressivos
Mas o que dizer dos antidepressivos? Se a depressão é uma resposta estratégica que estamos programados para ter, faz sentido combater seus sintomas? O antropólogo Edward Hagen, da Washington State University, é outro defensor dessa hipótese. No entanto, ele reconhece que, da mesma forma que seria antiético para um ortopedista tratar de um pé quebrado apenas engessando-o, sem prescrever remédios para dor, é preciso tratar os dolorosos efeitos da depressão.
Mas, assim como analgésicos sozinhos não resolvem o problema de um pé quebrado, ele diz que antidepressivos não deveriam ser receitados sem que se leve em conta as circunstâncias do paciente, como a morte de alguém próximo. Apesar de os remédios terem um efeito imediato importante, eles não podem, sozinhos, ajudar o paciente a resolver seus problemas a longo prazo.
Ninguém está dizendo, com isso, que a depressão seria uma evolução positiva ou útil. “Nós evoluímos para desejar consumir açúcar e gordura, mas essa adaptação é incompatível com nosso ambiente moderno de abundância calórica, levando a uma epidemia de obesidade. A depressão também pode ser uma condição incompatível”, diz o artigo.
Além disso, os psiquiatras todos concordam que a doença não tem uma causa – embora geralmente tenha gatilhos – e que alguns casos são causados por falhas genéticas ou por padrões de pensamento negativos aprendidos durante episódios anteriores não resolvidos. Mesmo quando há um gatilho, é muito difícil encontrá-lo em meio a todas as nossas memórias, especialmente quando não existiu nenhum grande trauma. Você pode até ter ideia de qual episódio tenha sido, mas nunca vai conseguir testar isso objetivamente.
Por fim, é preciso frisar que estamos falando de hipóteses sem comprovação clínica – e, na verdade, nem se sabe se uma eventual comprovação trará alguma mudança na forma como se trata a depressão atualmente. Ainda assim, elas nos fazem pensar. Ter uma abordagem diferente pode ser útil a pesquisadores, profissionais da saúde e principalmente para aqueles que lutam contra a depressão no seu dia a dia.
Fonte: http://super.abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/a-suposta-funcao-evolutiva-da-depressao/

terça-feira, março 07, 2017

Jamais Desista

"(...) Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”. É ter humildade da receptividade.
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz. E, quando você errar o caminho, recomece. Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário."
AutoriaDr. Augusto Cury (Médico Psiquiatra, Professor e Escritor brasileiro).

Contato: Vivian Maria Denny Psicóloga Clinica – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com