sexta-feira, novembro 11, 2016

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ALIVIA A ANSIEDADE E MUDA O CÉREBRO

Por: Dra Silvana Frassetto (Especialista em TCC)
Não dá para evitar: a vida moderna causa estresse e ansiedade. Coisas importantes como a insegurança no emprego, ou pequenas, como uma pia entupida, vão se amontoando e os níveis de ansiedade vão aumentando, e vão mudando o cérebro das pessoas. Um estudo recente publicado na revista Translational Psychiatry, demonstrou que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aplicada a pacientes com fobia social reduziu os sintomas destes pacientes, ocasionando, também, mudanças no volume e na atividade cerebral. A psicóloga especialista em TCC e doutora em Bioquímica, com ênfase em Neurociências, Silvana Frassetto, explica que a TCC parte da ideia que podemos nos libertar de angústias se nos tornamos conscientes de nossa forma distorcida de ver as situações, particularmente as estressantes, ajustando desta forma nosso comportamento.
Fobia Social (ou transtorno de ansiedade social) ocorre quando o indivíduo sente intenso e persistente medo em situações sociais onde possam ocorrer constrangimento ou avaliações negativas. Não se trata apenas de timidez. A pessoa fóbica social evita a todo custo se expor em eventos sociais, como falar em público, dirigir uma reunião ou dar uma palestra. Muitas pessoas chegam a desistir de empregos e dos estudos visando fugir destas situações que para ela são apavoradoras.
Como a pesquisa foi feita
Pesquisadores da Linköping University e de outras universidades suíças trataram 26 pacientes fóbicos ansiosos por 9 semanas. Realizaram uma imagem por ressonância magnética (MRI em inglês) do cérebro dos pacientes antes e depois da terapia.
Os pesquisadores descobriam que quanto maior era a melhora do paciente, menor era o volume de uma área cerebral chamada amígdala, a qual, dentre outras situações, é ativada quando a pessoa sente medo e ansiedade.
Esta pesquisa evidencia os efeitos psicológicos e biológicos da terapia cognitivo-comportamental e mostra que, quando o paciente está em terapia, ele não somente altera suas emoções, pensamentos e comportamentos, mas também o próprio cérebro.
Fonte: Neuroplasticity in response to cognitive behavior therapy for social anxiety disorder. K N T Mansson, A Salami, A Frick, P Carlbring, G Andersson, T Furmark and C-J Boraxbekk.
Lembrete: Gostou do conteúdo? Compartilhe nas Redes Sociais!
Contato:
vivian.psico@hotmail.com

terça-feira, outubro 25, 2016

(Re)Descubra o Novo!

Quando uma pessoa chega diante do mar pela primeira vez, fica impactada pela beleza e pela força que vê diante de si.
Já quem mora de frente para a praia, olha e não vê, vê e não enxerga, enxerga e já não sente mais nada…
Quando um turista desce no aeroporto da cidade desejada, quando vê monumentos e ruas que antes só via na TV,quando percorre ruas que antes eram sonhos, fica entusiasmado, tira milhares de fotos, compra postais e jura que um dia vai voltar. Quem mora ali mesmo, ás vezes quer até se mudar…
Quando alguém se apaixona por uma pessoa, move mundos e fundos para conquistar.
Faz coisas que parecem ridículas, contém seus vícios, fala manso, ri muito, capricha nas roupas, cerca a pessoa de todas as formas. Depois de algum tempo da conquista, se transforma, já não beija mais como antes, não leva flores, nem bombons, esquece até de mudar de roupa, e por fim, esquece do amor que nunca existiu…
Por isso, antes de encantar-se com o fim da viagem, curta a estrada e seus contornos.
Antes de comer a comida saborosa, cheire seus odores, aprecie a arrumação no prato, coma devagar e aprecie cada sabor.
Antes de terminar o relacionamento, examine se o que você cobra tanto, você oferece?
Antes de sair do emprego pergunte-se: será que fiz o melhor pelo ambiente?
O encanto está nos nossos olhos, o desencanto em nossos corações.
Por isso, deixe-se levar pela emoção todos os dias, descubra o novo no velho, e faça de cada dia, uma novidade pelos detalhes amorosos do seu ser.
Lembrete: Gostou do conteúdo? Curta e Compartilhe nas Redes Sociais!
Contato:
vivian.psico@hotmail.com 

sexta-feira, outubro 14, 2016

Reflexão para a Vida

Diz a lenda que um monge, próximo de se aposentar precisava encontrar um sucessor entre seus 2 discípulos.
O mestre lançou um desafio para colocar a sabedoria dos dois à prova. Ambos receberam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreenderem a subida de uma grande montanha.
Dia e hora marcados, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. Parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.
Prova encerrada, todos voltam da montanha para ouvirem do monge, o óbvio anúncio. O derrotado aproxima-se e pergunta ao vencedor como ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei - foi a resposta.
Carregando feijões ou problemas: há sempre um jeito mais fácil de levar a vida.
Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina.

Lembrete: Gostou do conteúdo? Compartilhe nas Redes Sociais!
Contato:
vivian.psico@hotmail.com 

domingo, setembro 04, 2016

Insônia e o Tratamento com a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)


[Sinônimo: Distúrbio do sono]
Nos tempos atuais, correria, estresse, compromissos e preocupações: em meio a tudo  como simplesmente fechar os olhos e pegar no sono à noite?
Estudos multinacionais mostram que a prevalência de insônia crônica entre os adultos varia de 3,9% a 22%.
A ICSD-3 (Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono-3) define como insônia crônica a condição que se instala quando surge um ou mais dos seguintes problemas, pelo menos três vezes por semana, por pelo menos três meses:
  • Dificuldade para iniciar o sono;
  • Dificuldade para mantê-lo;
  • Acordar mais cedo do que o desejado;
  • Resistência para deitar num horário razoável;
  • Dificuldade para dormir sem um parente ou um cuidador.
Quando a duração desses transtornos é menor do que três meses, a insônia é classificada como de curta duração.
A Insônia é um distúrbio e pode estar associado ao aumento do risco de morte, doença cardiovascular, depressão, obesidade, dislipidemia, hipertensão, fadiga e ansiedade. Nos quadros crônicos, está associada a acidentes automobilísticos, domésticos e no trabalho.
Tratamento:
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é considerada uma das metodologias mais assertivas e eficazes no tratamento para a insônia, pois promove mudanças nas ações e  nos pensamentos que interferem diretamente na capacidade de dormir bem e ajuda a desenvolver hábitos saudáveis de sono. Algumas das técnicas utilizadas no tratamento:
  • Aprender a lidar com as emoções e com as crenças disfuncionais que você tem sobre dormir – (Expl: Não serei capaz de dormir pode gerar ansiedade – o que dificultara ainda mais o seu sono);
  • Higiene do sono;
  • Técnicas de relaxamento;
  • Restringir o tempo de sono;
  • Controle dos estímulos que mantém a vigília.
Estudos comprovam que seus benefícios são superiores ao uso de medicamentos, tanto na eficácia quanto na duração dos efeitos positivos.
Medicações: Geralmente são prescritos em casos refratários, quando os demais recursos foram esgotados.

quinta-feira, setembro 01, 2016

Suicídio: Vamos falar à respeito?


O Suicídio ainda é um assunto tabu em nossa sociedade, seja por causar medo, espanto ou pelo fato das pessoas não saberem como lidar com a triste realidade.
As causas mais comuns do Suicídio estão associadas a transtornos mentais (psicológicos e/ ou psiquiátricos) que podem incluir depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.
Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma media de 800 mil pessoas cometem Suicídio no mundo a cada ano (número maior que todos os mortos em guerras, vítimas de homicídios e desastres naturais). Novos estudos indicam que o ritmo dos Suicídios está se acelerando. A Universidade de Oxford estudou os efeitos da crise econômica global, que começou em 2008, sobre as taxas de Suicídio nos EUA, no Canadá e na Europa. Em todos os casos, elas apresentaram crescimento: de 4,8%, 4,5% e 6,5%, respectivamente. Os Suicídios no mundo já vinham aumentando (o número global de casos cresceu 60% desde a década de 1970), mas agora assumiram um ritmo mais intenso. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.
Ainda segundo a OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.
Indicadores que a pessoa precisa de ajuda especializada, tem ideação (=ideias) Suicida e pode vir a cometer o Suicídio:
  • Desesperança de vida/ de futuro;
  • Isolamento social;
  • Deixar de cumprir com as obrigações diárias sem se importar com consequências;
  • Falar sobre a morte como a única saída para os problemas;
  • Dizer frases do tipo: “Não consigo lidar com tudo isso – a vida é muito difícil. Não se preocupe, não estarei aqui pra ver o desenrolar disso. Não vou te atrapalhar por muito tempo. Você ficara melhor sem mim. Sinto como se não houvesse saída. Gostaria de estar morto. Não queria ter nascido.”
Portanto, esteja atento às mudanças bruscas nos comportamentos; se você perceber que as ideias de suicídio são frequentes, investigue se existe um planejamento para o ato suicida. Não encare a situação como: “ele (a) faz isso somente para chamar atenção/ Não teria coragem”. Procure ajuda especializada o mais rápido.
A prevenção ainda é a melhor saída.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) na prevenção ao Suicídio:
O processo terapêutico da TCC com o paciente com pensamentos suicidas tem similaridades com o processo terapêutico da TCC para pacientes com depressão, com transtornos de ansiedade, com transtornos de dependência de substância, dentre outros (Wenzel et al., 2010). A TCC com o paciente suicida se debruça sobre os problemas de vida do indivíduo, mais aguçadamente se estes estiverem concatenados com crises suicidas. Sendo assim, torna-se importante atentar para a prevenção do Suicídio, seja na busca de estratégias que modifiquem a ideação ou intenção suicida, seja na busca de estratégias que provoquem esperança para o futuro (Wenzel et al., 2010).
Sabe-se da eficácia comprovada do tratamento da TCC para pacientes com quadros depressivo e ansioso, os quais podem aumentar o risco de Suicídio. Um terapeuta com características ativas e assertivas, que acredite no tratamento e tenha um plano de ação é ponto importante para gerar mudança nas cognições, nas emoções e nos comportamentos do paciente. Uma aliança terapêutica estabelecida pode contribuir para a redução da desesperança e dos pensamentos suicidas (Sudak, 2012).
Estudo realizado por Brown e colaboradores (2005) com um grupo de pacientes com graus significativos de desesperança aponta que intervenções realizadas por meio de 10 sessões de TCC tornaram 50% dos participantes menos propensos à tentativa de suicídio no período do acompanhamento do que o grupo que não recebeu tal tratamento. Além disso, foi constatada diminuição significativa dos níveis de desesperança do grupo que foi acompanhado a partir da TCC, bem como outros sintomas depressivos se tornaram menos graves.
Fonte/ Referências Bibliográficas:
Brown, G. K., Have, T. T., Henriques, G. R., Xie, S. X., Hollander, J. E., & Beck, A. T. (2005). Cognitive therapy for the prevention of suicide attempts: A randomized controlled trial. Journal of American Medical Association, 294(5),563-570. DOI: http://dx.doi.org/10.1001/jama.294.5.563
Global Burden of Disease, Organização Mundial da Saúde.
Sudak, D. M. (2012). Combinando terapia cognitivo-comportamental e medicamentos: Uma abordagem baseada em evidências. Porto Alegre: Artmed.

Wenzel, A., Brown, G. K., & Beck, A. T. (2010). Terapia cognitivo-comportamental para pacientes suicidas. Porto Alegre: Artmed.

Contato: Vivian Maria Denny Psicóloga – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com

sexta-feira, janeiro 04, 2013

VIUVEZ POR ALGUÉM VIVO





“Tive um relacionamento que começou em 2004 e terminou em 2011. Foram muitas idas e vindas, quase enlouqueci. Terapias, remédios, emagrecimento e distúrbio hormonal fizeram parte da minha vida. No último término, decidi ficar bem, deixar a vida me levar, mas não está sendo fácil. Engordei dez quilos, me sinto cada dia mais infeliz. No próximo mês, faz um ano que estou solteira. Conheci pessoas que me fizeram balançar e se uma delas quisesse me levar a sério eu não estaria tão mal. Mas o amor esta banalizado, o carinho e o respeito com o próximo não existem mais. Abraços! Jane”

Querida Jane,
Você é fiel ao relacionamento mesmo separada.
Não se permite trair o seu marido. Incorporou a personalidade dele a ponto de não saber mais qual é a própria.
É como viuvez de alguém que está vivo por aí. Não arranja ninguém porque não tolera a ideia de que o outro possa ser melhor e ocupar a majestade da ausência. Não aceita ter sofrido em vão por um sujeito que não merecia, então perdura o sofrimento para glorificar a perda (uma dívida feita somente de juros).
Quando um homem se aproxima, já arruma uma série de desculpas para evitar intimidade.
Ou porque é indiferente ou porque é grosseiro ou porque é apressado ou porque não tem bom hálito ou porque palita os dentes.
Nossa, é exigência em demasia. Não há como ser aprovado no concurso público de seu coração.
Permanece sabotando interessados sem perceber. É um boicote involuntário. Sempre encontra algum defeito no próximo pretendente, sempre acha alguma falha imperdoável que impede a relação, sempre cria restrições para não se apaixonar.
Não sai para valer, cria júris. É capaz de perdoar todos os problemas de personalidade do ex, mas jamais admitir qualquer escorregão de quem se aproxima.
A questão é que não pretende superar o luto. Transforma a ruptura na pior fase de sua vida (nem terapia, remédio, lugares diferentes, nada aplacou a vontade de reatar). Há um exagero emocional em seu depoimento: “quase enlouqueci, engordei dez quilos, quero sumir”.
É como se quisesse provar que tentou tudo e fracassou, que o amor antigo é mais forte do que sua força de vontade.
Mentira! Sequer batalhou um pouco, não começou a se arriscar, não abandonou o altar fúnebre, não largou a data do término. Vem contando os dias do divórcio tal viciado enumerando a abstinência. Desde o princípio, não enxerga a solteirice de forma positiva.
Censura sua felicidade. Prefere sofrer o conhecido a experimentar uma alegria inesperada.


Por: Fabricio Carpinejar
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 04/11/2012 Edição N° 17243
(Preservamos a identidade do remetente com nome fictício).

domingo, setembro 16, 2012

Na Natureza Selvagem

Dizem por aí que todos os homens são iguais, e as mães também, só mudam de endereço. Não é exagero? A variedade é o que dá graça à condição humana. Mas já repararam como existem padrões que se repetem no modo como nos relacionamos uns com os outros? Nem falar nas relações amorosas… As dúvidas que tiram o sono das chicas aqui no México se parecem muito às que já vi preocupar amigas no Brasil. Outro dia, uma amiga mexicana me veio com a pergunta do milhão: “o que você faria se a pessoa que você ama não quisesse o mesmo que você?”.
Engoli seco. Primeiro, porque me pegou de surpresa. Segundo, porque não sabia responder. E depende, certo? Como muitas coisas na vida, cheia de variáveis. Esta amiga terminou com o namorado de anos depois de flagrar uma conversa incômoda dele com uma desconhecida na internet (ah, essas redes sociais…). Era o chat da traição anunciada. No fim das contas, ela e o namorado conversaram, se entenderam, e tudo parecia voltar à calma. Mas ela não. Ela avançou ao futuro. Encasquetou porque ele diz que não acredita em casamento, nem faz questão de filhos, e ela sofre porque sonha de verdade em casar e ter uma família. E continua a relação com a estranha sensação de que está fadada ao fim.
Alguém por aí diria que toda relação é uma incógnita, que por mais que os dois envolvidos pensem de maneira parecida e compartilhem uma ideia de futuro não é garantia de uma relação “para sempre”. Mas, se não existe um mínimo de sonhos em comum, a coisa não complica? Como não conheço bem o namorado, disse a ela que não existe nada como uma conversa franca. Tendemos a pensar que sabemos o que se passa na cabeça do outro, e imaginação não é realidade. E fui também sincera: nestes casos, é difícil uma relação prosperar se as pessoas não estão dispostas a ceder, em menor ou maior grau, segundo a situação exija, em um jogo de escolhas que envolve perdas. Porque senão a longo prazo estariam infelizes, jogando suas frustrações um no outro, e com raiva do tempo perdido em que a paixão anulou a urgência de uma conversa séria. Só sabendo bem o que os dois sentem podem avaliar suas possibilidades, ou ao menos a vontade de tentar – ou ceder.
A tal conversa ainda não aconteceu. Nem acho que minha amiga tenha pressa, talvez por medo do rumo que as palavras tomem quando lançadas ao ar. O mesmo mistério que permeia o que une duas pessoas existe no que as separa. Quando saber que aquele ponto de discordância se transformou em “diferenças irreconciliáveis”, expressão corriqueiramente usada pelos famosos para justificar mais uma separação?
Uma grande amiga me disse uma vez que o que nos mantém juntos a outra pessoa não são suas qualidades, mas os defeitos. Isso porque ela pode ter o maior leque possível de qualidades, mas, se tem um defeito insuportável, por mais amor que exista a relação estará capenga. Incômoda.
Minha dúvida é sobre quando deixamos de ter dúvidas. Minha cunhada contou que nas palestras matrimoniais que teve que frequentar como requisito para o casamento na Igreja os casais eram instigados todo o tempo a duvidar sobre o que os levou até ali. Desafiados a refletir se o amor que sentiam era tão forte como diziam sentir, quase numa versão moderna-afetiva da Inquisição. Haverá quem desista sob pressão. Mas mesmo os mais seguros devem se perguntar, senão no tal curso, em algum momento da vida: será? Será esse? Será essa? Será que serei capaz de tolerar a diferença? Ter paciência para tentar o entendimento? Capacidade de escutar o outro? Habilidade para fazê-lo(a) falar? Quando amamos, a intenção de prosperar certamente existe, mas não é tão certa a destreza, nem a resistência a fatores externos. Existe o esforço – e isso já faz diferença.
Outra grande amiga disse outro dia que viver sozinho é mais fácil. Na teoria. Viver com alguém mais supõe outros desafios, situações que nos obrigam a amadurecer, dividir, somar. Cada um saberá como levar sua relação com o outro, e se preferir, apenas consigo mesmo, o que também pode ser bem difícil. Mas, desde que comecei a escrever este texto, uma frase não sai da minha cabeça. Vi num filme (dirigido por Sean Penn, “Na natureza selvagem”, tem também livro, altamente recomendado!). No final de uma arriscada aventura de auto-descoberta, o protagonista descobre, sozinho no Alasca, a resposta para o que buscava: “a felicidade só é real quando compartilhada”.



Extraído (na íntegra) da coluna da  jornalista Elisa Martins ( para a Revista Época - Mulher 7x7 ).