domingo, setembro 04, 2016

Insônia e o Tratamento com a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)


[Sinônimo: Distúrbio do sono]
Nos tempos atuais, correria, estresse, compromissos e preocupações: em meio a tudo  como simplesmente fechar os olhos e pegar no sono à noite?
Estudos multinacionais mostram que a prevalência de insônia crônica entre os adultos varia de 3,9% a 22%.
A ICSD-3 (Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono-3) define como insônia crônica a condição que se instala quando surge um ou mais dos seguintes problemas, pelo menos três vezes por semana, por pelo menos três meses:
  • Dificuldade para iniciar o sono;
  • Dificuldade para mantê-lo;
  • Acordar mais cedo do que o desejado;
  • Resistência para deitar num horário razoável;
  • Dificuldade para dormir sem um parente ou um cuidador.
Quando a duração desses transtornos é menor do que três meses, a insônia é classificada como de curta duração.
A Insônia é um distúrbio e pode estar associado ao aumento do risco de morte, doença cardiovascular, depressão, obesidade, dislipidemia, hipertensão, fadiga e ansiedade. Nos quadros crônicos, está associada a acidentes automobilísticos, domésticos e no trabalho.
Tratamento:
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é considerada uma das metodologias mais assertivas e eficazes no tratamento para a insônia, pois promove mudanças nas ações e  nos pensamentos que interferem diretamente na capacidade de dormir bem e ajuda a desenvolver hábitos saudáveis de sono. Algumas das técnicas utilizadas no tratamento:
  • Aprender a lidar com as emoções e com as crenças disfuncionais que você tem sobre dormir – (Expl: Não serei capaz de dormir pode gerar ansiedade – o que dificultara ainda mais o seu sono);
  • Higiene do sono;
  • Técnicas de relaxamento;
  • Restringir o tempo de sono;
  • Controle dos estímulos que mantém a vigília.
Estudos comprovam que seus benefícios são superiores ao uso de medicamentos, tanto na eficácia quanto na duração dos efeitos positivos.
Medicações: Geralmente são prescritos em casos refratários, quando os demais recursos foram esgotados.

quinta-feira, setembro 01, 2016

Suicídio: Vamos falar à respeito?


O Suicídio ainda é um assunto tabu em nossa sociedade, seja por causar medo, espanto ou pelo fato das pessoas não saberem como lidar com a triste realidade.
As causas mais comuns do Suicídio estão associadas a transtornos mentais (psicológicos e/ ou psiquiátricos) que podem incluir depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.
Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma media de 800 mil pessoas cometem Suicídio no mundo a cada ano (número maior que todos os mortos em guerras, vítimas de homicídios e desastres naturais). Novos estudos indicam que o ritmo dos Suicídios está se acelerando. A Universidade de Oxford estudou os efeitos da crise econômica global, que começou em 2008, sobre as taxas de Suicídio nos EUA, no Canadá e na Europa. Em todos os casos, elas apresentaram crescimento: de 4,8%, 4,5% e 6,5%, respectivamente. Os Suicídios no mundo já vinham aumentando (o número global de casos cresceu 60% desde a década de 1970), mas agora assumiram um ritmo mais intenso. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.
Ainda segundo a OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.
Indicadores que a pessoa precisa de ajuda especializada, tem ideação (=ideias) Suicida e pode vir a cometer o Suicídio:
  • Desesperança de vida/ de futuro;
  • Isolamento social;
  • Deixar de cumprir com as obrigações diárias sem se importar com consequências;
  • Falar sobre a morte como a única saída para os problemas;
  • Dizer frases do tipo: “Não consigo lidar com tudo isso – a vida é muito difícil. Não se preocupe, não estarei aqui pra ver o desenrolar disso. Não vou te atrapalhar por muito tempo. Você ficara melhor sem mim. Sinto como se não houvesse saída. Gostaria de estar morto. Não queria ter nascido.”
Portanto, esteja atento às mudanças bruscas nos comportamentos; se você perceber que as ideias de suicídio são frequentes, investigue se existe um planejamento para o ato suicida. Não encare a situação como: “ele (a) faz isso somente para chamar atenção/ Não teria coragem”. Procure ajuda especializada o mais rápido.
A prevenção ainda é a melhor saída.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) na prevenção ao Suicídio:
O processo terapêutico da TCC com o paciente com pensamentos suicidas tem similaridades com o processo terapêutico da TCC para pacientes com depressão, com transtornos de ansiedade, com transtornos de dependência de substância, dentre outros (Wenzel et al., 2010). A TCC com o paciente suicida se debruça sobre os problemas de vida do indivíduo, mais aguçadamente se estes estiverem concatenados com crises suicidas. Sendo assim, torna-se importante atentar para a prevenção do Suicídio, seja na busca de estratégias que modifiquem a ideação ou intenção suicida, seja na busca de estratégias que provoquem esperança para o futuro (Wenzel et al., 2010).
Sabe-se da eficácia comprovada do tratamento da TCC para pacientes com quadros depressivo e ansioso, os quais podem aumentar o risco de Suicídio. Um terapeuta com características ativas e assertivas, que acredite no tratamento e tenha um plano de ação é ponto importante para gerar mudança nas cognições, nas emoções e nos comportamentos do paciente. Uma aliança terapêutica estabelecida pode contribuir para a redução da desesperança e dos pensamentos suicidas (Sudak, 2012).
Estudo realizado por Brown e colaboradores (2005) com um grupo de pacientes com graus significativos de desesperança aponta que intervenções realizadas por meio de 10 sessões de TCC tornaram 50% dos participantes menos propensos à tentativa de suicídio no período do acompanhamento do que o grupo que não recebeu tal tratamento. Além disso, foi constatada diminuição significativa dos níveis de desesperança do grupo que foi acompanhado a partir da TCC, bem como outros sintomas depressivos se tornaram menos graves.
Fonte/ Referências Bibliográficas:
Brown, G. K., Have, T. T., Henriques, G. R., Xie, S. X., Hollander, J. E., & Beck, A. T. (2005). Cognitive therapy for the prevention of suicide attempts: A randomized controlled trial. Journal of American Medical Association, 294(5),563-570. DOI: http://dx.doi.org/10.1001/jama.294.5.563
Global Burden of Disease, Organização Mundial da Saúde.
Sudak, D. M. (2012). Combinando terapia cognitivo-comportamental e medicamentos: Uma abordagem baseada em evidências. Porto Alegre: Artmed.

Wenzel, A., Brown, G. K., & Beck, A. T. (2010). Terapia cognitivo-comportamental para pacientes suicidas. Porto Alegre: Artmed.

Contato: Vivian Maria Denny Psicóloga – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com

sexta-feira, janeiro 04, 2013

VIUVEZ POR ALGUÉM VIVO





“Tive um relacionamento que começou em 2004 e terminou em 2011. Foram muitas idas e vindas, quase enlouqueci. Terapias, remédios, emagrecimento e distúrbio hormonal fizeram parte da minha vida. No último término, decidi ficar bem, deixar a vida me levar, mas não está sendo fácil. Engordei dez quilos, me sinto cada dia mais infeliz. No próximo mês, faz um ano que estou solteira. Conheci pessoas que me fizeram balançar e se uma delas quisesse me levar a sério eu não estaria tão mal. Mas o amor esta banalizado, o carinho e o respeito com o próximo não existem mais. Abraços! Jane”

Querida Jane,
Você é fiel ao relacionamento mesmo separada.
Não se permite trair o seu marido. Incorporou a personalidade dele a ponto de não saber mais qual é a própria.
É como viuvez de alguém que está vivo por aí. Não arranja ninguém porque não tolera a ideia de que o outro possa ser melhor e ocupar a majestade da ausência. Não aceita ter sofrido em vão por um sujeito que não merecia, então perdura o sofrimento para glorificar a perda (uma dívida feita somente de juros).
Quando um homem se aproxima, já arruma uma série de desculpas para evitar intimidade.
Ou porque é indiferente ou porque é grosseiro ou porque é apressado ou porque não tem bom hálito ou porque palita os dentes.
Nossa, é exigência em demasia. Não há como ser aprovado no concurso público de seu coração.
Permanece sabotando interessados sem perceber. É um boicote involuntário. Sempre encontra algum defeito no próximo pretendente, sempre acha alguma falha imperdoável que impede a relação, sempre cria restrições para não se apaixonar.
Não sai para valer, cria júris. É capaz de perdoar todos os problemas de personalidade do ex, mas jamais admitir qualquer escorregão de quem se aproxima.
A questão é que não pretende superar o luto. Transforma a ruptura na pior fase de sua vida (nem terapia, remédio, lugares diferentes, nada aplacou a vontade de reatar). Há um exagero emocional em seu depoimento: “quase enlouqueci, engordei dez quilos, quero sumir”.
É como se quisesse provar que tentou tudo e fracassou, que o amor antigo é mais forte do que sua força de vontade.
Mentira! Sequer batalhou um pouco, não começou a se arriscar, não abandonou o altar fúnebre, não largou a data do término. Vem contando os dias do divórcio tal viciado enumerando a abstinência. Desde o princípio, não enxerga a solteirice de forma positiva.
Censura sua felicidade. Prefere sofrer o conhecido a experimentar uma alegria inesperada.


Por: Fabricio Carpinejar
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 04/11/2012 Edição N° 17243
(Preservamos a identidade do remetente com nome fictício).

domingo, setembro 16, 2012

Na Natureza Selvagem

Dizem por aí que todos os homens são iguais, e as mães também, só mudam de endereço. Não é exagero? A variedade é o que dá graça à condição humana. Mas já repararam como existem padrões que se repetem no modo como nos relacionamos uns com os outros? Nem falar nas relações amorosas… As dúvidas que tiram o sono das chicas aqui no México se parecem muito às que já vi preocupar amigas no Brasil. Outro dia, uma amiga mexicana me veio com a pergunta do milhão: “o que você faria se a pessoa que você ama não quisesse o mesmo que você?”.
Engoli seco. Primeiro, porque me pegou de surpresa. Segundo, porque não sabia responder. E depende, certo? Como muitas coisas na vida, cheia de variáveis. Esta amiga terminou com o namorado de anos depois de flagrar uma conversa incômoda dele com uma desconhecida na internet (ah, essas redes sociais…). Era o chat da traição anunciada. No fim das contas, ela e o namorado conversaram, se entenderam, e tudo parecia voltar à calma. Mas ela não. Ela avançou ao futuro. Encasquetou porque ele diz que não acredita em casamento, nem faz questão de filhos, e ela sofre porque sonha de verdade em casar e ter uma família. E continua a relação com a estranha sensação de que está fadada ao fim.
Alguém por aí diria que toda relação é uma incógnita, que por mais que os dois envolvidos pensem de maneira parecida e compartilhem uma ideia de futuro não é garantia de uma relação “para sempre”. Mas, se não existe um mínimo de sonhos em comum, a coisa não complica? Como não conheço bem o namorado, disse a ela que não existe nada como uma conversa franca. Tendemos a pensar que sabemos o que se passa na cabeça do outro, e imaginação não é realidade. E fui também sincera: nestes casos, é difícil uma relação prosperar se as pessoas não estão dispostas a ceder, em menor ou maior grau, segundo a situação exija, em um jogo de escolhas que envolve perdas. Porque senão a longo prazo estariam infelizes, jogando suas frustrações um no outro, e com raiva do tempo perdido em que a paixão anulou a urgência de uma conversa séria. Só sabendo bem o que os dois sentem podem avaliar suas possibilidades, ou ao menos a vontade de tentar – ou ceder.
A tal conversa ainda não aconteceu. Nem acho que minha amiga tenha pressa, talvez por medo do rumo que as palavras tomem quando lançadas ao ar. O mesmo mistério que permeia o que une duas pessoas existe no que as separa. Quando saber que aquele ponto de discordância se transformou em “diferenças irreconciliáveis”, expressão corriqueiramente usada pelos famosos para justificar mais uma separação?
Uma grande amiga me disse uma vez que o que nos mantém juntos a outra pessoa não são suas qualidades, mas os defeitos. Isso porque ela pode ter o maior leque possível de qualidades, mas, se tem um defeito insuportável, por mais amor que exista a relação estará capenga. Incômoda.
Minha dúvida é sobre quando deixamos de ter dúvidas. Minha cunhada contou que nas palestras matrimoniais que teve que frequentar como requisito para o casamento na Igreja os casais eram instigados todo o tempo a duvidar sobre o que os levou até ali. Desafiados a refletir se o amor que sentiam era tão forte como diziam sentir, quase numa versão moderna-afetiva da Inquisição. Haverá quem desista sob pressão. Mas mesmo os mais seguros devem se perguntar, senão no tal curso, em algum momento da vida: será? Será esse? Será essa? Será que serei capaz de tolerar a diferença? Ter paciência para tentar o entendimento? Capacidade de escutar o outro? Habilidade para fazê-lo(a) falar? Quando amamos, a intenção de prosperar certamente existe, mas não é tão certa a destreza, nem a resistência a fatores externos. Existe o esforço – e isso já faz diferença.
Outra grande amiga disse outro dia que viver sozinho é mais fácil. Na teoria. Viver com alguém mais supõe outros desafios, situações que nos obrigam a amadurecer, dividir, somar. Cada um saberá como levar sua relação com o outro, e se preferir, apenas consigo mesmo, o que também pode ser bem difícil. Mas, desde que comecei a escrever este texto, uma frase não sai da minha cabeça. Vi num filme (dirigido por Sean Penn, “Na natureza selvagem”, tem também livro, altamente recomendado!). No final de uma arriscada aventura de auto-descoberta, o protagonista descobre, sozinho no Alasca, a resposta para o que buscava: “a felicidade só é real quando compartilhada”.



Extraído (na íntegra) da coluna da  jornalista Elisa Martins ( para a Revista Época - Mulher 7x7 ).

domingo, julho 01, 2012

Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)




CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) - F31

Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares.
Inclui:
doença maníaco-depressiva
psicose maníaco-depressiva
reação maníaco-depressiva
Exclui: ciclotimia (F34.0)
transtorno bipolar, episódio maníaco isolado (F30.-)
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O TAB é classificado no grupo dos transtornos de humor e seus principais sintomas são constituídos por períodos de depressão: rebaixamento do humor, tristeza profunda e permanente e por períodos de mania (ou euforia): elevação do humor, alegria exagerada. Entre esses períodos o paciente pode ficar em estado de eutimia (humor normal).
Na fase depressiva os sintomas são de tristeza, perda de interesse nas atividades diárias, sintomas de culpa, baixa auto-estima, falta de energia, alterações no apetite e no sono, dificuldade de concentração, ideação suicida e em casos mais graves delírios e alucinações.
Na fase de mania (ou euforia) os sintomas são de humor elevado, expansivo ou irritável, auto-estima inflada, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, hiperatividade, exacerbação da sexualidade, distraibilidade, impulsividade.
O TAB pode manisfestar-se em qualquer época da vida e ocorre por predisposição genética associado ao estresse ambiental: químico (álcool/ drogas) ou emocional (conflitos familiares, viuvez, divórcio, violência física e/ ou psicológica). Portanto, pessoas com familiares próximos que tenham quadros depressivos ou TAB ou dependentes químicos têm maiores chances de desenvolver a doença.
O tratamento psiquiátrico medicamentoso e psicoterapêutico são essenciais para a diminuição dos sintomas do transtorno e para a prevenção de novas crises.

quarta-feira, junho 27, 2012

Psicofobia é crime

Psicofobia: Medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais. Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demonios ou servos do diabo. Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psicologia, verificou-se que essas pessoas tinham uma doença mental e não demônios ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O receio do doente mental ainda continua.

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).

No desembarque do aeroporto JFK, em Nova York, no começo deste ano, o outdoor que recebia milhares de pessoas diariamente não trazia nenhuma bela foto da cidade ou mensagem de boas-vindas. O que os viajantes encontravam era uma enorme propaganda com a mensagem: “Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”. A ironia desconcertante da publicidade reflete muito da imagem que alguns transtornos mentais ainda recebem por parte da sociedade: para alguns, um destempero; para outros, uma fraqueza. Mas a depressão é um transtorno mental dos mais graves e incapacitantes. Dentre as 10 principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são decorrências de transtornos mentais. A depressão aparece em primeiro lugar.
Para 46 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde, a depressão é uma realidade: 20% a 25% da população já teve ou tem depressão ao longo da vida. A incapacitação profissional, a falta de interesse e de motivação para participar de atividades sociais rotineiras e de ter prazer nas coisas de que gosta e com as pessoas que ama, transforma dramaticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus familiares e amigos, trazendo consequências devastadoras. Essa falta de capacidade de se relacionar tem efeitos profundos e duradouros, que dificultam a reinserção social dos que tentam se recuperar de um episódio de depressão.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais transtornos mentais atingem a muitos brasileiros, o preconceito em torno a eles é crescente na sociedade. Já é hora de combater essa discriminação, como atualmente já se faz com os homossexuais, negros e mulheres. A expressão psicofobia expressa justamente o nefasto preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.
Se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer, conforme apontou o outdoor no aeroporto americano, também não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que ela pede e seus portadores exigem. Há várias formas de preconceito, entre elas a própria negação da doença como algo menor ou passageiro. Como disse Albert Einstein, lamentando a triste época em que vivia, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em pleno 2012, ideias preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os portadores de transtornos mentais.
Psicofobia é crime. 


*ANTÔNIO GERALDO DA SILVA é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

segunda-feira, abril 30, 2012

Vida de Elefante





Você já observou elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir. Que mistério! Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que, por sorte minha alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.

Isso muitas vezes acontece conosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas: Que não podemos ter? Que não podemos ser? Que não vamos conseguir, simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos nãos que a corrente da estaca ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim..."
Poderia dizer que o fogo para nós seria: a perda de um emprego, ou algum outro problema ou algo que nos fizesse sair da zona de conforto.
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Não espere que o seu "circo" pegue fogo para começar a se movimentar. Vá em frente!