Psicofobia: Medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais. Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demonios ou servos do diabo. Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psicologia, verificou-se que essas pessoas tinham uma doença mental e não demônios
ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O receio do doente
mental ainda continua.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
No desembarque do aeroporto JFK, em Nova York, no começo deste ano, o outdoor que recebia milhares de pessoas diariamente não trazia nenhuma bela foto da cidade ou mensagem de boas-vindas. O que os viajantes encontravam era uma enorme propaganda com a mensagem: “Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”. A ironia desconcertante da publicidade reflete muito da imagem que alguns transtornos mentais ainda recebem por parte da sociedade: para alguns, um destempero; para outros, uma fraqueza. Mas a depressão é um transtorno mental dos mais graves e incapacitantes. Dentre as 10 principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são decorrências de transtornos mentais. A depressão aparece em primeiro lugar.
Para 46 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde, a
depressão é uma realidade: 20% a 25% da população já teve ou tem
depressão ao longo da vida. A incapacitação profissional, a falta de
interesse e de motivação para participar de atividades sociais
rotineiras e de ter prazer nas coisas de que gosta e com as pessoas que
ama, transforma dramaticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus
familiares e amigos, trazendo consequências devastadoras. Essa falta de
capacidade de se relacionar tem efeitos profundos e duradouros, que
dificultam a reinserção social dos que tentam se recuperar de um
episódio de depressão.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais
transtornos mentais atingem a muitos brasileiros, o preconceito em torno
a eles é crescente na sociedade. Já é hora de combater essa
discriminação, como atualmente já se faz com os homossexuais, negros e
mulheres. A expressão psicofobia expressa justamente o nefasto
preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.
Se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer, conforme
apontou o outdoor no aeroporto americano, também não há razão para as
doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que ela pede e seus
portadores exigem. Há várias formas de preconceito, entre elas a própria
negação da doença como algo menor ou passageiro. Como disse Albert
Einstein, lamentando a triste época em que vivia, “é mais fácil
desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em pleno 2012, ideias
preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada
a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os
portadores de transtornos mentais.
Psicofobia é crime.
*ANTÔNIO GERALDO DA SILVA é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


