sexta-feira, janeiro 04, 2013

VIUVEZ POR ALGUÉM VIVO





“Tive um relacionamento que começou em 2004 e terminou em 2011. Foram muitas idas e vindas, quase enlouqueci. Terapias, remédios, emagrecimento e distúrbio hormonal fizeram parte da minha vida. No último término, decidi ficar bem, deixar a vida me levar, mas não está sendo fácil. Engordei dez quilos, me sinto cada dia mais infeliz. No próximo mês, faz um ano que estou solteira. Conheci pessoas que me fizeram balançar e se uma delas quisesse me levar a sério eu não estaria tão mal. Mas o amor esta banalizado, o carinho e o respeito com o próximo não existem mais. Abraços! Jane”

Querida Jane,
Você é fiel ao relacionamento mesmo separada.
Não se permite trair o seu marido. Incorporou a personalidade dele a ponto de não saber mais qual é a própria.
É como viuvez de alguém que está vivo por aí. Não arranja ninguém porque não tolera a ideia de que o outro possa ser melhor e ocupar a majestade da ausência. Não aceita ter sofrido em vão por um sujeito que não merecia, então perdura o sofrimento para glorificar a perda (uma dívida feita somente de juros).
Quando um homem se aproxima, já arruma uma série de desculpas para evitar intimidade.
Ou porque é indiferente ou porque é grosseiro ou porque é apressado ou porque não tem bom hálito ou porque palita os dentes.
Nossa, é exigência em demasia. Não há como ser aprovado no concurso público de seu coração.
Permanece sabotando interessados sem perceber. É um boicote involuntário. Sempre encontra algum defeito no próximo pretendente, sempre acha alguma falha imperdoável que impede a relação, sempre cria restrições para não se apaixonar.
Não sai para valer, cria júris. É capaz de perdoar todos os problemas de personalidade do ex, mas jamais admitir qualquer escorregão de quem se aproxima.
A questão é que não pretende superar o luto. Transforma a ruptura na pior fase de sua vida (nem terapia, remédio, lugares diferentes, nada aplacou a vontade de reatar). Há um exagero emocional em seu depoimento: “quase enlouqueci, engordei dez quilos, quero sumir”.
É como se quisesse provar que tentou tudo e fracassou, que o amor antigo é mais forte do que sua força de vontade.
Mentira! Sequer batalhou um pouco, não começou a se arriscar, não abandonou o altar fúnebre, não largou a data do término. Vem contando os dias do divórcio tal viciado enumerando a abstinência. Desde o princípio, não enxerga a solteirice de forma positiva.
Censura sua felicidade. Prefere sofrer o conhecido a experimentar uma alegria inesperada.


Por: Fabricio Carpinejar
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 04/11/2012 Edição N° 17243
(Preservamos a identidade do remetente com nome fictício).

domingo, setembro 16, 2012

Na Natureza Selvagem

Dizem por aí que todos os homens são iguais, e as mães também, só mudam de endereço. Não é exagero? A variedade é o que dá graça à condição humana. Mas já repararam como existem padrões que se repetem no modo como nos relacionamos uns com os outros? Nem falar nas relações amorosas… As dúvidas que tiram o sono das chicas aqui no México se parecem muito às que já vi preocupar amigas no Brasil. Outro dia, uma amiga mexicana me veio com a pergunta do milhão: “o que você faria se a pessoa que você ama não quisesse o mesmo que você?”.
Engoli seco. Primeiro, porque me pegou de surpresa. Segundo, porque não sabia responder. E depende, certo? Como muitas coisas na vida, cheia de variáveis. Esta amiga terminou com o namorado de anos depois de flagrar uma conversa incômoda dele com uma desconhecida na internet (ah, essas redes sociais…). Era o chat da traição anunciada. No fim das contas, ela e o namorado conversaram, se entenderam, e tudo parecia voltar à calma. Mas ela não. Ela avançou ao futuro. Encasquetou porque ele diz que não acredita em casamento, nem faz questão de filhos, e ela sofre porque sonha de verdade em casar e ter uma família. E continua a relação com a estranha sensação de que está fadada ao fim.
Alguém por aí diria que toda relação é uma incógnita, que por mais que os dois envolvidos pensem de maneira parecida e compartilhem uma ideia de futuro não é garantia de uma relação “para sempre”. Mas, se não existe um mínimo de sonhos em comum, a coisa não complica? Como não conheço bem o namorado, disse a ela que não existe nada como uma conversa franca. Tendemos a pensar que sabemos o que se passa na cabeça do outro, e imaginação não é realidade. E fui também sincera: nestes casos, é difícil uma relação prosperar se as pessoas não estão dispostas a ceder, em menor ou maior grau, segundo a situação exija, em um jogo de escolhas que envolve perdas. Porque senão a longo prazo estariam infelizes, jogando suas frustrações um no outro, e com raiva do tempo perdido em que a paixão anulou a urgência de uma conversa séria. Só sabendo bem o que os dois sentem podem avaliar suas possibilidades, ou ao menos a vontade de tentar – ou ceder.
A tal conversa ainda não aconteceu. Nem acho que minha amiga tenha pressa, talvez por medo do rumo que as palavras tomem quando lançadas ao ar. O mesmo mistério que permeia o que une duas pessoas existe no que as separa. Quando saber que aquele ponto de discordância se transformou em “diferenças irreconciliáveis”, expressão corriqueiramente usada pelos famosos para justificar mais uma separação?
Uma grande amiga me disse uma vez que o que nos mantém juntos a outra pessoa não são suas qualidades, mas os defeitos. Isso porque ela pode ter o maior leque possível de qualidades, mas, se tem um defeito insuportável, por mais amor que exista a relação estará capenga. Incômoda.
Minha dúvida é sobre quando deixamos de ter dúvidas. Minha cunhada contou que nas palestras matrimoniais que teve que frequentar como requisito para o casamento na Igreja os casais eram instigados todo o tempo a duvidar sobre o que os levou até ali. Desafiados a refletir se o amor que sentiam era tão forte como diziam sentir, quase numa versão moderna-afetiva da Inquisição. Haverá quem desista sob pressão. Mas mesmo os mais seguros devem se perguntar, senão no tal curso, em algum momento da vida: será? Será esse? Será essa? Será que serei capaz de tolerar a diferença? Ter paciência para tentar o entendimento? Capacidade de escutar o outro? Habilidade para fazê-lo(a) falar? Quando amamos, a intenção de prosperar certamente existe, mas não é tão certa a destreza, nem a resistência a fatores externos. Existe o esforço – e isso já faz diferença.
Outra grande amiga disse outro dia que viver sozinho é mais fácil. Na teoria. Viver com alguém mais supõe outros desafios, situações que nos obrigam a amadurecer, dividir, somar. Cada um saberá como levar sua relação com o outro, e se preferir, apenas consigo mesmo, o que também pode ser bem difícil. Mas, desde que comecei a escrever este texto, uma frase não sai da minha cabeça. Vi num filme (dirigido por Sean Penn, “Na natureza selvagem”, tem também livro, altamente recomendado!). No final de uma arriscada aventura de auto-descoberta, o protagonista descobre, sozinho no Alasca, a resposta para o que buscava: “a felicidade só é real quando compartilhada”.



Extraído (na íntegra) da coluna da  jornalista Elisa Martins ( para a Revista Época - Mulher 7x7 ).

domingo, julho 01, 2012

Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)




CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) - F31

Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares.
Inclui:
doença maníaco-depressiva
psicose maníaco-depressiva
reação maníaco-depressiva
Exclui: ciclotimia (F34.0)
transtorno bipolar, episódio maníaco isolado (F30.-)
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O TAB é classificado no grupo dos transtornos de humor e seus principais sintomas são constituídos por períodos de depressão: rebaixamento do humor, tristeza profunda e permanente e por períodos de mania (ou euforia): elevação do humor, alegria exagerada. Entre esses períodos o paciente pode ficar em estado de eutimia (humor normal).
Na fase depressiva os sintomas são de tristeza, perda de interesse nas atividades diárias, sintomas de culpa, baixa auto-estima, falta de energia, alterações no apetite e no sono, dificuldade de concentração, ideação suicida e em casos mais graves delírios e alucinações.
Na fase de mania (ou euforia) os sintomas são de humor elevado, expansivo ou irritável, auto-estima inflada, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, hiperatividade, exacerbação da sexualidade, distraibilidade, impulsividade.
O TAB pode manisfestar-se em qualquer época da vida e ocorre por predisposição genética associado ao estresse ambiental: químico (álcool/ drogas) ou emocional (conflitos familiares, viuvez, divórcio, violência física e/ ou psicológica). Portanto, pessoas com familiares próximos que tenham quadros depressivos ou TAB ou dependentes químicos têm maiores chances de desenvolver a doença.
O tratamento psiquiátrico medicamentoso e psicoterapêutico são essenciais para a diminuição dos sintomas do transtorno e para a prevenção de novas crises.

quarta-feira, junho 27, 2012

Psicofobia é crime

Psicofobia: Medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais. Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demonios ou servos do diabo. Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psicologia, verificou-se que essas pessoas tinham uma doença mental e não demônios ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O receio do doente mental ainda continua.

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).

No desembarque do aeroporto JFK, em Nova York, no começo deste ano, o outdoor que recebia milhares de pessoas diariamente não trazia nenhuma bela foto da cidade ou mensagem de boas-vindas. O que os viajantes encontravam era uma enorme propaganda com a mensagem: “Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”. A ironia desconcertante da publicidade reflete muito da imagem que alguns transtornos mentais ainda recebem por parte da sociedade: para alguns, um destempero; para outros, uma fraqueza. Mas a depressão é um transtorno mental dos mais graves e incapacitantes. Dentre as 10 principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são decorrências de transtornos mentais. A depressão aparece em primeiro lugar.
Para 46 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde, a depressão é uma realidade: 20% a 25% da população já teve ou tem depressão ao longo da vida. A incapacitação profissional, a falta de interesse e de motivação para participar de atividades sociais rotineiras e de ter prazer nas coisas de que gosta e com as pessoas que ama, transforma dramaticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus familiares e amigos, trazendo consequências devastadoras. Essa falta de capacidade de se relacionar tem efeitos profundos e duradouros, que dificultam a reinserção social dos que tentam se recuperar de um episódio de depressão.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais transtornos mentais atingem a muitos brasileiros, o preconceito em torno a eles é crescente na sociedade. Já é hora de combater essa discriminação, como atualmente já se faz com os homossexuais, negros e mulheres. A expressão psicofobia expressa justamente o nefasto preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.
Se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer, conforme apontou o outdoor no aeroporto americano, também não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que ela pede e seus portadores exigem. Há várias formas de preconceito, entre elas a própria negação da doença como algo menor ou passageiro. Como disse Albert Einstein, lamentando a triste época em que vivia, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em pleno 2012, ideias preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os portadores de transtornos mentais.
Psicofobia é crime. 


*ANTÔNIO GERALDO DA SILVA é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

segunda-feira, abril 30, 2012

Vida de Elefante





Você já observou elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir. Que mistério! Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que, por sorte minha alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.

Isso muitas vezes acontece conosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas: Que não podemos ter? Que não podemos ser? Que não vamos conseguir, simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos nãos que a corrente da estaca ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim..."
Poderia dizer que o fogo para nós seria: a perda de um emprego, ou algum outro problema ou algo que nos fizesse sair da zona de conforto.
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Não espere que o seu "circo" pegue fogo para começar a se movimentar. Vá em frente!


domingo, abril 15, 2012

Enurese Noturna

Xixi na cama: só 10% têm causa emocional

O famoso xixi na cama não está diretamente relacionado ao lado emocional da criança como a maioria das pessoas acredita. Noventa por cento dos casos são orgânicos e a maior parte deles tem razão hereditária.

Dois terços dos pais que já sofreram com o problema podem ter filhos com os sintomas da enurese noturna - que é a continuação involuntária do hábito da criança urinar na cama após a idade em que já deveria controlar o xixi.

O controle da urina durante o dia aparece mais precocemente. Geralmente, com cerca de dois anos de idade, a criança começa a notar a sensação de bexiga cheia e a chamar a atenção quando quer fazer xixi. A partir daí, as mães tendem a retirar a fralda diurna, mantendo a noturna por mais tempo.

Se, ao ultrapassar os cinco anos, a criança ainda não demonstrou controle da urina durante a noite, o ideal é procurar um pediatra. Na maioria das vezes, trata-se de um caso de enurese noturna primária.

As causas

Grande parte dos casos de enurese noturna primária é genética. Geralmente se encontram vários casos anteriores ao da criança na família, como tios, avós, pais ou primos que tiveram o mesmo problema.

Algumas crianças sofrem com a falta de uma substância chamada vasopressina, que é fabricada pela hipófise para diminuir a produção de urina durante a noite. Com esse déficit, muitas produzem, à noite, a mesma quantidade de urina que produzem durante o dia.

Outra causa possível é uma imaturidade do sistema nervoso, que impede que o cérebro da criança receba o aviso enviado pela bexiga cheia durante a noite. Sem ser avisada, a criança deixa de acordar para ir ao banheiro e acaba encharcando os lençóis.

Os casos emocionais - apenas 10% – são chamados de enurese secundária porque, geralmente, acontecem depois de a criança já ter aprendido a controlar o xixi, normalmente por um trauma emocional.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico e o tratamento para o combate do xixi na cama devem ser iniciados o mais rapidamente possível - próximo dos cinco anos de idade – assim que a doença for diagnosticada.

Quanto antes o problema for tratado, menos chances a criança terá de sofrer com baixa autoestima, que acaba interferindo no seu comportamento emocional, ou seja, podendo torná-la tímida, retraída e sem confiança nas suas próprias capacidades.

Tratamentos

Existem medicamentos para repor a vasopressina em tratamentos que duram cerca de um ano. O remédio só deve deixar de ser tomado quando a criança estiver com a cama "seca" há mais de seis meses.

Dependendo do caso, há medicamentos que relaxam a musculatura da bexiga e diminuem as contrações responsáveis por eliminar o xixi. Com menos contrações, diminui-se a probabilidade de liberar urina à noite. Alguns antidepressivos também têm uma ação específica sobre a musculatura da bexiga e também podem minimizar o problema.

Apesar de o diagnóstico ser simples – geralmente obtido em uma conversa entre os pais e o médico – cada caso deve ser tratado de maneira específica. Xixi na cama nunca mais!

Algumas dicas para diminuir as chances de a criança molhar os lençóis todas as noites:

• Procure fontes confiáveis e não perca tempo com tratamentos alternativos sem qualquer comprovação científica.

• Não compense a má alimentação da criança durante o dia com mamadeira ou copo de leite à noite, que aumenta o volume de líquido filtrado pelo rim.

• Se necessário, diminua a ingestão de sucos e sopas à noite.

• A suposta sede da criança antes de dormir pode ser evitada se ela se acostumar a tomar mais líquido durante o dia, de forma distribuída.

• Esvazie a bexiga da criança antes do sono.

• Retire a fralda para desacostumar a criança do "conforto" de urinar na cama.

• Evite levar a criança, durante o sono, para o banheiro. Além de interferir na tranquilidade do sono, dormindo a criança não vai aprender a desenvolver o reflexo de que deve acordar antes de fazer xixi na cama.

Curiosidades

O problema é mais comum entre as crianças hiperativas. Um terço dos pacientes com enurese noturna apresenta a associação dos dois quadros: xixi na cama e hiperatividade.

Você sabia que 20% das crianças e adolescentes com enurese também apresentam enxaqueca?

Treinamento de "retenção urinária"

Treinar a retenção urinária da criança pode ser uma boa maneira de acostumá-la ao controle do xixi.

O exercício pode ser feito da seguinte maneira:

Dar líquido (água ou suco) para a criança beber às 9 horas ou às 15 horas. Após 15 ou 20 minutos, ela terá vontade de urinar. Peça que ela segure a vontade por um ou dois minutos ou o quanto aguentar. Dessa forma, ela estará sendo hidratada no período certo (que não é antes de dormir) e fazendo exercícios para estimular a sensação de bexiga cheia, que nos leva naturalmente ao banheiro durante a noite.

Fonte: Dr. Abram Topczewski – Neurologista da Infância e Adolescência do Einstein e co-autor do livro "Xixi na cama nunca mais!".

Fonte: Hospital Albert Einstein

segunda-feira, abril 02, 2012

Camelo, Leão e Criança



“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.” Friedrich Nietzsche 

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) defendeu que os seres humanos evoluem na Terra, podendo passar metaforicamente por três fases "camelo", "leão" e "criança".
O homem, ao nascer, é como o camelo. É obrigado a comer, assimilar e armazenar, por um bom tempo, grande parte dos dados, histórias e ensinamentos acumulados pela humanidade ao longo de séculos. Essas informações chegam a ele por meio das orientações dos pais, professores e mestres, da convivência com seus iguais ou também por toda a produção cultural existente na sociedade: livros, filmes, arte, teatro, arquitetura, todo tipo de mídia... Ele vai ruminar, ruminar e ruminar essa quantidade enorme de dados até construir seu sistema de valores e crenças que, na maioria das vezes, já está alinhado com valores e crenças organizadas e pré-existentes sejam elas religiões, sejam elas sistemas políticos, filosofias ou doutrinas.
A maior parte da humanidade vive no estado de camelo. Só assimilando, aceitando, deglutindo. Ou, pior, se estapeando por causa do conteúdo engolido, isto é, por causa de suas crenças, ideologias ou religiões. Os homens-camelos não têm potencial crítico para se afastar da própria crença, analisá-la de forma isenta e descobrir seus pontos falhos ou ângulos distorcidos. Principalmente porque ela está baseada na emoção, não na razão. Por isso, para eles, de alguma forma parece impensável e sacrílego fazer essa avaliação.
Uns poucos entre os camelos chegam ao estado de leão. Normalmente, os grandes felinos se insurgem contra isso tudo que está aí, como se dizia na década de 70. Pode ser por meio da arte, como Picasso, que subverteu os cânones dos critérios artísticos aceitos até sua época (não sem antes dominá-los muito bem, por sinal). Pode ser por meio do cinema, como Ingmar Bergman, que trouxe a conflituosa realidade psicológica do ser humano para seus filmes inovadores. Ou pode ser por meio da religião. Francisco de Assis, por exemplo, foi um extraordinário leão de seu tempo.
Leões são geralmente líderes e, por isso, têm enorme influência junto aos camelos. Por isso mesmo, muitas vezes são feitos em pedacinhos por eles ou, então, por outros leões na defesa de seu território. O problema do leão é que, na maioria dos casos, ele ainda está preso ao que ele é contra. Pode dedicar sua vida e até morrer por seu ideal. Como diz o mestre espiritual Osho, que comentou a teoria de Nietzsche no livro 'Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo', a grande maioria da humanidade está empacada no estado do camelo; a minoria está empacada no estágio do leão. A maioria significa as massas; a minoria, a 'intelligentsia' (pintores, músicos, cineastas, intelectuais, escritores, uma boa parte dos pensadores...). O leão, continua Osho, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico. Já para se formar a criança é preciso uma formidável revolução interior. A criança é a pessoa que passou por uma transformação interna absolutamente radical. Ela tornou-se um outro ser, renasceu. É pós-mental e pós-egóica. O camelo vive no passado, o leão no futuro e criança no aqui-e-agora. 

Ela é a única realmente livre.